Na última consulta do Júnior com o pediatra, ficou bem claro para mim que meu filhotinho deveria ter um espaço só seu para brincar, nada de brinquedos espalhados pela casa. E como uma mãe zelosa, já providenciei o “mini-projeto” de uma sala, a SALA DE DIVERSÃO.
Desde que eu e meu marido resolvemos ter um bebê, já sabíamos que muita coisa ia mudar, inclusive os espaços e horários da casa. E foi assim, que domingo à noite eu e meu marido estávamos na sala verificando onde ia ficar a mesa, a TV, o escorregador, a piscina de bolinhas, a mesinha de recreação, a lousa para desenhar, etc. Desenhamos todo o ambiente, agora só falta colocá-lo em prática.
Quando eu era criança, eu e meus irmãos tínhamos uma “sala da bagunça”, lembro sempre de um urso azul grande – bem maior do que eu – e que um dia veio a sucumbir e foi bolinha de isopor para todos os lados, fiquei triste, mas tranqüila que o urso “explodiu” na minha sala, então minha mãe não poderia brigar comigo.
Pois bem, voltando ao assunto “sala da bagunça”, é nessa sala que podíamos comer, beber, bagunçar, ficar de castigo (até que era bom), era também nessa sala que um Doberman – isso mesmo aquele cachorro enorme que dizem que é feroz –ficava conosco brincando e claro, tomando conta.
Fui muito feliz nesse espaço e posso dizer pelos meus irmãos que também foram felizes, então por que não trazer um pouco dessas lembranças tão boas ao Júnior.
Agora vem a sala, depois vou ensiná-lo a brincar na chuva, subir em pé de manga, fazer “guerrinha de lama”, e tudo mais que pude brincar e ser feliz na infância. Sei bem que não vou conseguir escapar dos joguinhos eletrônicos, computador, TV de plasma com canal pago, mas nunca - NUNCA MESMO – vou deixar de retransmitir ao meu filho o quanto podemos ser felizes e divertir muito com brincadeiras “naturais”.
Toda criança que tem um espaço reservado somente para ela, se sente relaxada, feliz, calma, aliás, eles são “os donos do ambiente”. E existe coisa melhor que brincar sem cobranças?!
Acredito muito que toda criança que é “sufoca” por palavras “cuidado vai estragar o sofá”, “olha a minha parede”, “nossa eu trouxe essa lembrança de Paris e você quebrou”, “bebe direitinho para não deixar cair no tapete”, acaba por não expressar a sua verdadeira criatividade.
Você já viu um pintor terminar uma obra sem respingo de tinta na roupa ou no chão, se sim me conte, por que eu nunca vi.
Uma criança que tem a liberdade de brincar desenvolve seu lado criativo e aprende a ter concentração em uma atividade, assim desenvolve a sua inteligência e inclusive sua autonomia, isto é, organiza e estabelece suas próprias leis.
Quando vamos executar uma tarefa não nos concentramos, organizamos, planejamos, interagimos, até finalizarmos? O que é diferente para uma criança? Nada!
Ela também planeja e se organiza de como vai fazer e de como vai fazer. Inclusive aprende o que é “cuidar de seu espaço”, criamos assim outra nova função para a criança, a de responsabilidade.
É através da brincadeira e de pequenos atos dos pais ou responsáveis que diferenciamos a educação e comportamento da criança. Sei que muita gente pensa que eles possuem seu próprio “temperamento”, inclusive eu penso isso, mas também acredito que existe herança genética de educação.
Lembra como você era criada pela sua mãe, pela sua avó, lembra de suas brincadeiras? Por que não passar um pouco disso para essa nova geração, quem sabe não resgatamos um pouco dos princípios e da ética que está faltando ao mundo.








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